
Relatório de pesquisa e cartilha formativa produzidos pela Associação 19 de Setembro e Aláfia Lab, com a participação direta de jovens de Belém, Natal e São Paulo.
Informação não é ruído, é direito.
Esta pesquisa mostra que juventudes periféricas não são apenas alvos da desinformação: elas são intérpretes qualificadas do ecossistema informacional brasileiro.
Ao formar jovens pesquisadores em três capitais, o projeto produz dados, metodologia e materiais replicáveis para escolas, cursinhos populares, coletivos, educadores e políticas públicas. Os resultados demonstram que o enfrentamento à desinformação exige respostas territorializadas, formativas e construídas com — e não apenas para — as comunidades mais impactadas.

Pesquisa quali-quantitativa com 513 jovens de Belém, Natal e São Paulo sobre hábitos informacionais, desinformação, educação midiática e inteligência artificial. Inclui dados de 6 grupos focais e análise estatística com recorte territorial.

Material formativo com síntese metodológica, dados da pesquisa e atividades práticas como o "Mutirão da Verdade" e "Detetives das Narrativas", para uso em cursinhos populares, escolas, coletivos e espaços comunitários.
O projeto Educação Midiática, Direitos Humanos e Periferias e a pesquisa EntreVistas, é fruto de uma parceria entre a Associação 19 de Setembro (S19), Aláfia Lab e da Rede Confluências de Educação Popular e levantamento de dados pelo Instituto de Pesquisa IDEIA.
A iniciativa nasce da compreensão de que jovens das periferias urbanas ocupam um lugar central nas dinâmicas contemporâneas de circulação de informação, mas ainda são pouco reconhecidos como sujeitos produtores de conhecimento sobre comunicação, desinformação e participação democrática.
Ao longo do segundo semestre de 2025, foram realizadas 16 formações com 15 jovens pesquisadores das periferias de Belém, Natal e São Paulo. Os encontros abordaram plataformas digitais, desinformação, inteligência artificial e pesquisa científica, criando um espaço de troca e construção coletiva de conhecimento a partir das experiências desses jovens em seus territórios.
Quando você coloca o jovem no centro da produção de conhecimento, ele não apenas aprende — ele transforma.
Como a pesquisa e a formação crítica foram utilizadas pelos 15 jovens estudantes para investigar seus próprios territórios, atuando como sujeitos ativos na produção de conhecimento.
Dados e depoimentos sobre hábitos digitais e os desafios das juventudes na era da desinformação, com análise quali-quantitativa em três capitais brasileiras.
Atividades práticas como o "Mutirão da Verdade" e "Detetives das Narrativas", desenhadas para facilitar debates sobre educação midiática e checagens coletivas de conteúdos.
69%
dos jovens encontram informações falsas com frequência
66%
se informam pelo Instagram, a plataforma preferida
72%
não se sentem seguros para identificar informações falsas
44%
acreditam que a IA contribui mais para disseminar fake news
75%
dos bolsistas aprovados em universidades federais ou com bolsas integrais
513
jovens participaram da etapa quantitativa em 3 capitais
A pesquisa foi desenvolvida em três etapas complementares, integrando formação, escuta qualitativa e levantamento quantitativo. Os próprios jovens participaram da construção das perguntas, dos pré-testes e da análise dos dados, garantindo que o estudo refletisse questões relevantes a partir de suas vivências.
Etapa colaborativa
15 jovens pesquisadores e 4 coordenadores territoriais participaram de 16 encontros formativos sobre desinformação, IA e pesquisa científica.
Etapa qualitativa
6 grupos focais com 48 participantes de Belém, Natal e São Paulo, entre 17 e 29 anos, das classes C, D e E.
Etapa quantitativa
Survey com 513 jovens das três capitais, com coleta realizada pelo Instituto IDEIA e análise pelo Aláfia Lab.
Região amazônica, com dinâmicas informacionais atravessadas por questões territoriais, ambientais e de acesso digital.
Nordeste brasileiro, com jovens de cursinhos populares enfrentando desafios de acesso à educação superior e formação crítica.
Maior metrópole do país, com periferias densas e dinâmicas informacionais marcadas pela diversidade e pela desigualdade.
Organização da sociedade civil com atuação nacional que desenvolve projetos de impacto socioterritorial, combinando educação popular, cultura e direitos humanos.
Laboratório de pesquisa e inovação sediado em Salvador (BA), dedicado a compreender e transformar as relações entre internet, comunicação e sociedade.
Rede de educação popular presente em todas as regiões do Brasil, com mais de 30 núcleos de cursinhos pré-universitários, cultura e direitos humanos.
Apoio: Projeto financiado por meio de emenda parlamentar destinada por Erika Hilton e executada a partir de termo de fomento estabelecido com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.
Levantamento de dados: Instituto de Pesquisa IDEIA.
Utilize a cartilha como roteiro de aulas e oficinas sobre educação midiática. As atividades práticas (Mutirão da Verdade, Detetives das Narrativas) podem ser adaptadas para diferentes faixas etárias e contextos escolares.
Integre os dados da pesquisa às aulas de atualidades e redação. A metodologia de formação de jovens pesquisadores pode ser replicada como programa complementar de bolsas e pesquisa.
Use os dados como argumento para ações de comunicação comunitária e incidência local. O relatório oferece evidências sobre como a desinformação afeta especificamente os territórios populares.
Utilize os achados como subsídio para políticas públicas de educação midiática e juventude. A metodologia é replicável e pode ser incorporada a programas municipais e estaduais de formação cidadã.
É uma iniciativa da Associação 19 de Setembro (S19) em parceria com o Aláfia Lab que combina formação de jovens pesquisadores, pesquisa quali-quantitativa e produção de materiais formativos sobre desinformação e educação midiática em periferias de três capitais brasileiras.
513 jovens de periferias de Belém (PA), Natal (RN) e São Paulo (SP) participaram da etapa quantitativa. Além disso, 15 jovens bolsistas de cursinhos populares foram formados como pesquisadores ao longo de 16 encontros formativos, e 6 grupos focais foram realizados nas três cidades.
A pesquisa atuou em periferias de três capitais: Belém (PA), com foco na Região Metropolitana; Natal (RN), na Zona Norte e comunidades da Grande Natal; e São Paulo (SP), nas periferias das zonas Sul e Leste.
A cartilha traz atividades práticas como o ‘Mutirão da Verdade’ e ‘Detetives das Narrativas’, além de síntese metodológica e dados da pesquisa. Pode ser usada como roteiro de oficinas, material complementar em aulas de atualidades, ou base para programas de formação em educação midiática.
A pesquisa revelou que 69% dos jovens encontram informações falsas com frequência, 72% não se sentem seguros para identificá-las, e 44% acreditam que a IA contribui mais para disseminar fake news. Esses dados mostram que juventudes periféricas estão altamente expostas à desinformação digital e percebem a IA como fator de risco.
O projeto foi realizado pela Associação 19 de Setembro (S19) e Aláfia Lab, com apoio da Rede Confluências de Educação Popular. O levantamento quantitativo foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa IDEIA. O financiamento veio de emenda parlamentar destinada por Erika Hilton, executada via termo de fomento com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.