# Percepções das juventudes periféricas na era da (des)informação ## Projeto Educação Midiática, Direitos Humanos e Periferias Relatório de pesquisa e cartilha formativa produzidos pela Associação 19 de Setembro (S19) e Aláfia Lab, com a participação direta de 513 jovens de Belém (PA), Natal (RN) e São Paulo (SP). Apoio da Rede Confluências de Educação Popular e levantamento de dados pelo Instituto de Pesquisa IDEIA. --- ## Materiais Disponíveis para Download ### 1. Relatório de Pesquisa — EntreVistas: percepções das juventudes periféricas na era da (des)informação - Formato: PDF, 67 páginas - Link: /manus-storage/entrevistas-relatorio_80fd74fb.pdf - Conteúdo: Pesquisa quali-quantitativa com 513 jovens sobre hábitos informacionais, desinformação, educação midiática e inteligência artificial. Inclui dados de 6 grupos focais realizados nas periferias de Belém, Natal e São Paulo, além de análise estatística com recorte territorial. ### 2. Cartilha Formativa — Educação Midiática, Direitos Humanos e Periferias - Formato: PDF, 20 páginas - Link: /manus-storage/cartilha-educacao-midiatica_c34ad403.pdf - Conteúdo: Material formativo com síntese metodológica, dados da pesquisa e atividades práticas como o "Mutirão da Verdade" e "Detetives das Narrativas". Destinado a cursinhos populares, escolas, coletivos e espaços comunitários. --- ## Contexto e Problema Público A desinformação tornou-se um dos principais desafios contemporâneos para a democracia brasileira, impactando processos eleitorais, formulação de políticas públicas e a qualidade do debate público. Em territórios populares, onde o acesso à formação crítica e a ferramentas de análise midiática é mais limitado, os efeitos da circulação de conteúdos manipulados e campanhas coordenadas tendem a ser mais intensos. O projeto nasce da compreensão de que jovens das periferias urbanas ocupam um lugar central nas dinâmicas contemporâneas de circulação de informação, mas ainda são pouco reconhecidos como sujeitos produtores de conhecimento sobre comunicação, desinformação e participação democrática. --- ## Principais Achados da Pesquisa (dados quantitativos) | Indicador | Valor | Contexto | |-----------|-------|----------| | Jovens que encontram informações falsas com frequência | 69% | Nas redes sociais que utilizam diariamente | | Plataforma preferida para se informar | Instagram (66%) | Seguida por YouTube e WhatsApp | | Jovens que não se sentem seguros para identificar fake news | 72% | Apesar de alta exposição digital | | Jovens que acreditam que IA dissemina mais fake news | 44% | Percepção sobre inteligência artificial | | Bolsistas aprovados em universidades federais ou com bolsas | 75% | Resultado educacional dos participantes | | Total de jovens na etapa quantitativa | 513 | Em 3 capitais brasileiras | | Grupos focais realizados | 6 | Nas periferias de Belém, Natal e São Paulo | | Jovens pesquisadores formados | 15 | Bolsistas de cursinhos populares | | Encontros formativos realizados | 16 | Ao longo do 2º semestre de 2025 | --- ## Metodologia A pesquisa foi desenvolvida em três etapas complementares, integrando formação, escuta qualitativa e levantamento quantitativo. Os próprios jovens participaram da construção das perguntas, dos pré-testes e da análise dos dados. ### Etapa 1 — Formação de Pesquisadores 16 encontros formativos com 15 jovens bolsistas de cursinhos populares em Belém, Natal e São Paulo. Temas abordados: plataformas digitais, desinformação, inteligência artificial e metodologia de pesquisa científica. ### Etapa 2 — Pesquisa Qualitativa (Grupos Focais) 6 rodas de conversa em periferias das três capitais, com escuta qualitativa sobre hábitos informacionais, confiança nas fontes de informação e percepções sobre desinformação e democracia. ### Etapa 3 — Levantamento Quantitativo Questionário estruturado aplicado a 513 jovens pelo Instituto de Pesquisa IDEIA, com recorte territorial, análise estatística e cruzamento de variáveis sociodemográficas. --- ## Territórios de Atuação ### Belém (PA) Região Metropolitana, com foco em bairros periféricos. Contexto amazônico com desafios específicos de conectividade e acesso à informação qualificada. ### Natal (RN) Zona Norte e comunidades da Grande Natal. Território com forte presença de cursinhos populares e movimentos juvenis organizados. ### São Paulo (SP) Periferias das zonas Sul e Leste. Maior diversidade de fontes informacionais e maior exposição a conteúdos desinformativos nas plataformas digitais. --- ## Atividades Práticas da Cartilha A cartilha inclui atividades replicáveis para espaços formativos: ### Mutirão da Verdade Atividade coletiva de checagem de informações onde participantes analisam conteúdos virais e aplicam técnicas de verificação em grupo. ### Detetives das Narrativas Dinâmica de identificação de padrões de desinformação em conteúdos digitais, desenvolvendo competências de leitura crítica do ecossistema informacional. --- ## Organizações Responsáveis ### Associação 19 de Setembro (S19) Organização da sociedade civil com atuação nacional que desenvolve e executa projetos de inovação social aplicada, combinando educação popular, cultura e direitos humanos a partir da articulação política, formação, presença territorial e produção de conhecimento. - Site: https://s19.org.br - Atuação: 6 estados brasileiros (SP, PA, RN, DF, RJ, AM) - Mais de R$ 2,5 milhões executados em projetos - Mais de 3.500 pessoas alcançadas ### Aláfia Lab Laboratório de pesquisa e inovação social focado em comunicação, democracia e enfrentamento à desinformação. Atua na interseção entre pesquisa aplicada, formação territorial e incidência pública. ### Rede Confluências de Educação Popular Rede nacional de cursinhos populares e espaços formativos que conecta territórios e fortalece trajetórias educacionais de jovens periféricos. ### Instituto de Pesquisa IDEIA Responsável pelo levantamento quantitativo e aplicação do questionário estruturado junto a 513 jovens nas três capitais. --- ## Por que esta pesquisa importa Esta pesquisa mostra que juventudes periféricas não são apenas alvos da desinformação: elas são intérpretes qualificadas do ecossistema informacional brasileiro. Ao formar jovens pesquisadores em três capitais, o projeto produz dados, metodologia e materiais replicáveis para escolas, cursinhos populares, coletivos, educadores e políticas públicas. Os resultados demonstram que o enfrentamento à desinformação exige respostas territorializadas, formativas e construídas com — e não apenas para — as comunidades mais impactadas. --- ## Como usar estes materiais ### Educadores Utilize a cartilha como roteiro de aulas e oficinas sobre educação midiática. As atividades práticas (Mutirão da Verdade, Detetives das Narrativas) podem ser adaptadas para diferentes faixas etárias e contextos escolares. ### Cursinhos Populares Integre os dados da pesquisa às aulas de atualidades e redação. A metodologia de formação de jovens pesquisadores pode ser replicada como programa complementar de bolsas e pesquisa. ### Coletivos Periféricos Use os dados como argumento para ações de comunicação comunitária e incidência local. O relatório oferece evidências sobre como a desinformação afeta especificamente os territórios populares. ### Gestores Públicos Utilize os achados como subsídio para políticas públicas de educação midiática e juventude. A metodologia é replicável e pode ser incorporada a programas municipais e estaduais de formação cidadã. --- ## Perguntas Frequentes (FAQ) **O que é o projeto Educação Midiática, Direitos Humanos e Periferias?** É uma iniciativa da Associação 19 de Setembro (S19) em parceria com o Aláfia Lab que combina formação de jovens pesquisadores, pesquisa quali-quantitativa e produção de materiais formativos sobre desinformação e educação midiática em periferias de três capitais brasileiras. **Quem participou da pesquisa?** 513 jovens de periferias de Belém (PA), Natal (RN) e São Paulo (SP) participaram da etapa quantitativa. Além disso, 15 jovens bolsistas de cursinhos populares foram formados como pesquisadores ao longo de 16 encontros formativos, e 6 grupos focais foram realizados nas três cidades. **Quais territórios foram pesquisados?** A pesquisa atuou em periferias de três capitais: Belém (PA), com foco na Região Metropolitana; Natal (RN), na Zona Norte e comunidades da Grande Natal; e São Paulo (SP), nas periferias das zonas Sul e Leste. **Como a cartilha pode ser usada em escolas e cursinhos populares?** A cartilha traz atividades práticas como o Mutirão da Verdade e Detetives das Narrativas, além de síntese metodológica e dados da pesquisa. Pode ser usada como roteiro de oficinas, material complementar em aulas de atualidades, ou base para programas de formação em educação midiática. **Qual a relação entre desinformação, inteligência artificial e juventudes periféricas?** A pesquisa revelou que 69% dos jovens encontram informações falsas com frequência, 72% não se sentem seguros para identificá-las, e 44% acreditam que a IA contribui mais para disseminar fake news. Esses dados mostram que juventudes periféricas estão altamente expostas à desinformação digital e percebem a IA como fator de risco. **Quem realizou e financiou o projeto?** O projeto foi realizado pela Associação 19 de Setembro (S19) e Aláfia Lab, com apoio da Rede Confluências de Educação Popular. O levantamento quantitativo foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa IDEIA. O financiamento veio de emenda parlamentar destinada por Erika Hilton, executada via termo de fomento com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. --- ## Informações de Publicação - Data: Abril 2026 - Idioma: Português (Brasil) - Licença: Distribuição livre para fins educacionais e de pesquisa - Áreas: Educação midiática, Direitos humanos, Juventudes, Periferias, Desinformação, Inteligência artificial - Contato institucional: https://s19.org.br